quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Egungun Babá Obá Olá
EGUNGUN - Nomes, Famílias, Rituais e OrikísNo ritual de Egungun, reside um dos maiores mistérios da cultura e ritualística Yorubana e Dahomeana. O culto ao Egungun, é um culto aos antepassados das pessoas falecidas que eram iniciadas no ritual dos Orixás ou Voduns ou ainda, no próprio ritual de Egun. Este ritual não é uma propriedade africana única. No Japão, existe uma semel...
hança no culto aos antepassados também, e que é de prática nacional. É tão sério e popular, que consegue manter a nação unida em torno desta prática. A única diferença entre estes dois cultos é que no Japão não existe a materialização dos antepassados, enquanto que na Nigéria, no Togo, Benin e Brasil, estas "aparições" são comuns e visíveis a todos os presentes.

É também comum na Nigéria vê-se os Ojés (sacerdotes de Egungun), provocando estas materializações, quando jogam várias roupas (axós - trajes) de Egungun no chão e minutos após, estas começam a inflar e tomar formatos humanos como se corpos existissem dentro de cada uma delas. Tais fenômenos acontecem em plena luz do dia, na rua e diante dos olhos de todos. O ritual começa no Ojubó (camarinha secreta), com oferendas, local onde as roupas são abençoadas e recheadas dos "axés"(força e poder), do ritual. Posteriormente, é feita a oferenda de um "agutã"(carneiro), sobre o "gbodô (pilão) o qual será levado à praça pública e invertido no chão, ou seja, colocado de cabeça para baixo. Após tais atos o Ologbô (sumo sacerdote de Egun) manda distribuir as roupas de cada Egungun que irá se materializar, no chão separadas a cada três metros. Ato contínuo, começam as cantorias sob o rítimo frenético dos "abados" (abanadores de palha) batidos em bocas de porrões" (grandes vasos de barro com bocas largas), acompanhados por "gans e agogôs" (sinetas de metal). - Tudo isto segue uma ritualística e está rigidamente dentro de uma hierarquia milenar.

Os "cargos" (títulos sacerdotais) estão dentro de uma nominação que assim está determinada em escala ascendente: 1 Ojé - 2 Eiedun - 3 Ojé Lese Egun - 4 Ojé alagbá - 5 Alapini - 6 Alagbá e 7 Ologbô. - O ritual é masculino e só permite a entrada de mulheres que sejam filhas de Oyá (Iasan) Igbalé, Oyá Zagan, Oyá, Messe Egun, Oyá Tolú e Oyá Izô. Existe um cargo intermediário com o nome de "Ojé Lesse Orisá", que determina uma intermediação entre o Egungun e o "sirê" (toque) de Orisás ligados aos antepassados. Este cargo e ritual fica mais encravado no ritual de Geledê" da raiz Jêje.
RitualO ritual é complexo e exige uma iniciação demorada para aqueles que dele querem fazer parte. A Invocação chamada "Zerim" ou "Sirrum" consiste de cantigas ancestrais de louvação a cada Egun Babá e tem como base sonora os potes (porrões) de boca larga, agogôs, cabaças e "oberós" (alquidares) com água. Alguns "ilús" (tambores) também são usados e se diferenciam dos demais por serem cobertos com couro de "agutan" (carneiro). As roupas pertencentes aos Babás (pais) são confeccionadas em lantejoulas, vidrilhos, canutilhos, espelhos, cetim, telas e uma mistura de tecidos variados contrastantes entre si. Estas roupas não têm aberturas e são totalmente fechadas da cabeça (que varia de tamanho e formato), até os pés.O ritual começa no barracão com as chamadas e as roupas jogadas no chão ou dependendo da "casa", as roupas ficam dentro do "Ojubó" e à medida que os Babá vão chegando, estas roupas vão inflando e tomando seus formatos humanos(?), andando e falando. É comum ver-se um Babá sentar-se em um trono e gradativamente começar a desinflar até esvasiar a roupa, diante de todos os assistentes. Cada Babá tem a sua peculiaridade, sua cantiga própria, sua entonação de voz, sua roupa e sua linhagem totêmica. Também materializam presentes que deixam para seus filhos e amigos.

Os Babás não devem ser tocados por mão humana e para tanto são dirigidos durante suas apresentações por Ojés que têm nas mãos os "Inxans" (vara de amoreira) que os conduzem com pequenos toques. Porém, não raro, tanto na Nigéria como no Benin ou Bahia, algumas vezes os Babás permitem que alguém lhes apertem um braço ou uma mão para que todos tenham a certeza de que não existe uma pessoa dentro daquela roupa. Os Babás gritam e falam geralmente no dialeto Yorubá Castiço ou Ewe, no que é traduzido pelo Ojé que o acompanha. Os Babás atendem a pedidos mediante a entrega de oferendas (presentes) de momento com os mesmos escritos ou falados durante a cerimônia.
BABÁS EGÚNS FAMOSOS - Nigéria - Benin - Bahia - PernambucoEstes são alguns dos Babás Egungun mais famosos no eixo África - Brasil.
Ojé Ladê - Opetenan - Fatunuké - MamaTeni - Atô - Arô - Ologbojô - Aguian - Baká Baká - Alapiagan - Jootolú - Obilaré - Okin - Arisojí - Ode Layielú - Oba Olá - Oyá Biyí - Lapampa - Sembé - Aparaká - Olúlu - Oyé Ati - Élewe - Alarinsó - Ajóbiéwe - Ajofoyinbó - Aiyegunlá - Alapansanpa - Elegbodó - Awuró - Ijépa - Épa - Élé Fin - Ilóró - Pepéiye - Olókótun - Nouvavou - Mazaca - Zazi Boulonin - Zantahí - Wawá - Nibho - Rataloni - Obé Erin - Ólójé - Ólóhan - Olóbá - Aládáfa - Eléfí, Babá ALAPALÁ e Babá BANBUSHÊ ADINIMÓDÓ.

Estes são os mais famosos Babás do ritual de Egungun do Brasil e na África e, que, de uma certa forma "capitaneiam" os destinos das pessoas e por quê não dizer, o destino do Brasil.
Cantigas Secretas de EgungunRitual Jêje - (Sirrum)
Saudação:Do manã Avalú elo ô,Do manã Avalú jé roissôNainhê jí tu sabé deinhoDo manã Avalú já roissôSokó BeréIná SakóeréEtú nainhê sobe deinhóDo manan Avalú já Roinssó

Invocação:Avalumã, shenuê e shenuêShenuê, shenuê e, shenuê Avalumã shenuê ago no shokotô
Houn já fineuá e, fineuáFineuá fineuáAgô no shokotô.
E azan barékessé...zanAzan berekessé..zanAzan bá Egun
Obé ké makundoKunjala, jála obéObé ké makundo
Egun ma houn belé Rekanssô marruôHoun Belé Sogbô, hounbeléMa houn belé rakanssô marruô
Aziri in mamú êAziri in mamu áIdabaê, Aziri in mamí á

Ritual Yorubá - (Zerin)Invocação: Murace bí Babá Kosé bé MuracebiBabe KoséYá mofú inãYá ko izô Yá kosé béYá kota d´ele seO murecebi Babá Kosé
Ikú to loxê AparakáIkú to loxê Aparaká,E a larê,Ikú oló re ô

Jêje - Yorubá Invocação: Mauá, Mauá, MauáVodunci ilê MauáVodunci ilá MauáLése Korré zó

ORIKY EGUN
Reza secreta YorubanaEgun ayiê Ixibó Orún Móju Baré!!!Sún ré òkún, òrun súnré ô Órun re o, òkún, òrun, òrun re o,Òkú ló gvéré a ko ri i móAkikanjú p´arada a kò bgohun ré,Erín wo, erin ló,Ajànàkú subu kó lê g´ókéEni rené ló s´ájulé órunSun´ré o, Éni rere sùn ré o.
Bi ikú ba ngbowóA ba fun um l´ówóBi ikú si ngb´ébóA ba ra agbó funfun nìkinkìnA ba ni ki ikú o gbá ko s´íjúKo féni rere lê kó jé kó péKo feni rere lê leigbá èmi réSún´ré o, Éni rere sùn´ré o.
Ikú t´ó fó niká silé t´o um éni rereBi ikú ba maa gbó a ba bé ikúA ba dóbálé niwajú ÉlédáA ba fi fere kórin àilónkaA ba ke pe ikú ko sáánúKo fi omo sílé fun abiyamóSugbón ilú di´´tí kó gbóhùnSún`re o, éni rere sùnre o.
Ikú fó`jú kó riramIkú féni búburú silé, o um éni rereBi ikú ba ti de ko gbó´oógun móÉni kú s´ébó tánO simi o si bó Iówó iyónuO di ebóra fun ómó arayéO di òken nin awón Màleká ode-orunSun `re o, éni rere sun´´re o,Kíni a ba wi, kini a ba só ?Kini a ba fi sé ètùtù nlá yi ?Ká tu ikú l´ójú k´a ye isókun ojú
K´a ba adájó ti nda ti a kó le riIkú ti nmu´ni l´ohún, mu´ni léegun ara,O mú´ni wó iínu ilé, a kó re i imóO mu´ni wó iyéwu ré kó padá bóSun´re o, Éni rere sun´´re o.
Ébu rere kója ló si apá kejí odóOjó wo l´a o pàdé iwó òrisá ilé ?Nibó l´a o pàdé iwó òrisá ilé ?O di arinnakó o di oju aláO di okio aláwo ati ti awòrawóO di iwáju Olódùmaré Baba,Ki a to fojú ganni ara wa,Sun`re o, Eni rere sun´re o.

Não se pode confundir Egun e Egungun. Eguns são todos os espíritos de pessoas falecidas. Egunguns são espíritos de sacerdotes e sacerdotisas falecidos, ou seja, pessoas que foram iniciadas no ritual do Orixá ou no próprio ritual de Egungun.

Enquanto no âmbito dos Eguns, existem obsessores, e até mesmo demônios, que viveram e que não viveram, os Egunguns são espíritos antepassados que cuidam em dar continuidade à cultura e às tradições étnicas e tribais, para que seus sucessores (os vivos) tenham a melhor condição de vida possível. Egungun não aceita a mentira e a depravação e tão pouco a corrupção dos costumes e da ritualística. Por esta razão, pouquíssimas são as "casas" de candomblé de Egungun no Brasil, estando restritas à Ilha de Itaparica, na Bahia, em locais conhecidos por "Amoreira" e "Barro Vermelho". No final do século XX e agora no século XXI, algumas tentativas de espalhar o ritual já foram feitas. Algumas com sucesso, outras não. Há que se ressaltar a homenagem ao grande Alagbá Aliba (Eduardo Daniel de Paula) na condução do ritual de Egun em Amoreira. Também destaque para Didi (Deoscoredes dos Santos), o Alapini de Itaparica, no seu trabalho de sucessão do falecido Aliba. Apenas para demonstrar o poder do ritual de Egungun e seus sacerdotes, destacamos da lista de Egungun acima o Babá Bambuxé Adinimodó, que em 1660 foi sumo sacerdote do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, e encarregado pelo destino (Odú) de preservar, no Brasil, através dos ensinamentos, a raiz das tradições das diversas tribos africanas, para cá trazidas durante o nefasto tráfico de escravos. Bambuxé foi a alma , o espírito, o corpo e a mente estratégica e espiritual de Palmares, tendo como assessor o Tata Kaundê e juntos deram muito trabalho às investidas dos soldados e comandantes brancos em embates contra as tropas de Palmares. Não teríamos esta relação e este conhecimento, não fossem os ensinamentos místicos que Bambuxê nos legou através dos diversos discípulos que consagrou.

Em nossa visita e vivência em Lagos, na Nigéria, fomos franquiados a constatar e assistir alguns rituais de Egungun, realizadas em pleno dia em praça pública, presenciando as materializações de vários Babás e com eles tivemos a oportunidade de conversar, e trocando idéias, concluímos que eles amam os seus descendentes no Brasil, hoje negros, mulatos, mestiços e brancos. E conforme nos falou Babá Olobogjô e Babá Alapalá não tínhamos ido à África para "catarmos axés" e sim buscar os nossos fundamentos e conhecermos os nossos ancestrais de mais de quatrocentos anos. Para tanto, nos deram roupas, comida e habitação, além de todo conhecimento possível. Com todo orgulho, portanto, criamos esta página em homenagem àqueles que nos possibilitaram existir geneticamente, mantendo o conhecimento da ancestralidade, que nos mantém VIVOS.
Egun ayiê Ixibó Orún Móju Baré!!!Se Alafiá
ORUMILÁ IFÁ ( SENHOR DO DESTINO )
CULTO À ORUNMILÁ



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A importância de Òrúnmìlà é tão grande que chegamos a concluir que se um homem fizer algum tipo de pedido ao todo poderoso Olòrún ( Deus, o Senhor dos Céus), esse pedido só poderá chegar até Ele através de Òrúnmìlà e ou Èsù, que são somente eles dois dentre todos os òrìsà os que têm a permissão, o poder e o livre acesso concedido pôr Olòrún de estar junto a Ele, quando assim for necessário.

Ainda vale ressaltar que somente Òrúnmìlà e Èsù possuem para si um culto individual, onde são feitos adorações totalmente específicas para os mesmos, também são eles os únicos que podem possuir para somente o seu culto um sacerdote específico.

Isso só é possível pôr causa dos poderes delegados pelo todo poderoso a eles, pois os demais òrìsà são totalmente dependentes de Ifá e Èsù, enquanto que eles não dependem de nenhum dos òrìsà para desenvolverem sua própria evolução, ou seja, o culto à Ifá e Èsù não dependem do culto aos òrìsà, entretanto o culto aos òrìsà dependem totalmente de Ifá e Èsù.

Òrúnmìlà é o senhor dos destinos, é aquele que tudo sabe e tudo vê em todos os mundos que estão sob a tutela de Olòrún, ele sabe tudo sobre o passado, o presente e o futuro de todos habitantes do àiyé e do òrún, é o regente responsável e detentor dos oráculos, foi quem acompanhou Odùduwà na criação e fundação de Ilé Ìfé, é normalmente chamado em suas preces de:


¨ Elérí Ìpín "o testemunho de Deus''

¨ Ibìkéjì Olódúmarè "o vice de Deus"

¨ Gbàiyégbòrún "aquele que está no céu e na terra"

¨ Òpitan Ìfé "o historiador de Ìfé"


 Acredita-se que Olòrún passou e confiou de maneira especial toda a sabedoria e conhecimento possível, imaginável e existente entre todos os mundos habitados e não habitados à Òrúnmìlà, fazendo com que desta forma o tornasse seu representante em qualquer lugar que estivesse.

No àiyé Olòrún fez com que Òrúnmìlà participasse da criação da terra e do homem, fez com que ele auxiliasse o homem a resolver seus problemas do dia a dia, também fez com que ajudasse o homem a encontrar o caminho e o destino ideal de seu orì. No òrún lhe ensinou todos os conhecimentos básicos e complementares referente todos os òrìsà, independente de serem Irúnmolè, Imolè, Ebora, Onílè, Ìyámi Àjé ou Égúngún , pois criou um elo de dependência de todos perante Òrúnmìlà, todos devem consulta-lo para resolver diversos problemas, com pôr exemplo, a vinda de Òrìsànlá à terra para efetuar a criação de tudo aquilo que teria vida na mesma, porém o grande òrìsà não seguiu as orientações prescritas pôr Ifá, e não conseguiu cumprir com sua obrigação caindo nas travessuras aplicadas pôr Èsù, ficando esta missão pôr conta de Odùduwà.

Também Òrúnmìlà fala e representa de maneira completa e geral todos os òrìsà, auxiliando pôr exemplo, um consulente o que ele deve fazer para agradar ou satisfazer um determinado òrìsà, obtendo desta forma um resultado satisfatório para o òrìsà e para o consulente.

Òrúnmìlà sabe e conhece o destino de todos os homens e de tudo o que têm vida em nosso mundo, pois ele está presente no ato da criação do homem e sua vinda a terra, e é neste exato instante que Ifá determina os destinos e os caminhos a serem cumpridos pôr aquele determinado espírito.

É pôr isso que Òrúnmìlà tem as respostas para toda e qualquer pergunta lhe é feita, e que ele têm a solução para todo e qualquer problema lhe apresentado, e é pôr esta razão que ele têm o remédio para todas as doenças que lhe forem apresentadas, pôr mais impossível que pareça ser a sua cura. Desta forma todos nós deveríamos cultuar Òrúnmìlà e Ifá, pois felizes aqueles que a ele adoram e veneram como sua entidade e fonte de energia e sobrevivência, sendo assim com certeza poderemos alcançar a sorte, a felicidade, a inteligência, a sabedoria, o conhecimento, enfim, o seu destino ideal juntamente de seu equilíbrio.

Todos nós deveríamos consultar Ifá antes de tomarmos qualquer atitude e decisão em nossas vidas, com certeza iríamos errar menos, os Yorubás consultam Ifá antes de tomarem qualquer decisão, com pôr exemplo, antes de um casamento, antes de um noivado, antes do nascimento e até mesmo na hora de dar o nome a criança, antes da conclusão de um negócio, antes de uma viagem, etc.

Além disto tudo, Òrúnmìlà é também quem tem a vida e a morte em suas mãos, pois ele é a energia que esta mais atuante e mais próxima de Olòrún, podendo ele ser a única entidade que tem poderes para suplicar, pedir ou implorar a mudança do destino de uma pessoa.

Ajé Sarikí (AJÈ SALUGA) 
É uma divindade muito cultuada entre o povo Yorubano, pois se trata de um Orixá que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade àquele que a trata. Ajè Salugá é a irmã mais nova de Yemojá. Ambas são as filhas prediletas de Olokun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olokun dividiu os mares com suas filhas, e cada uma reinou numa diferente região do oceano. ...
Ajè Salugá ganhou o poder sobre as marés.

É um fundamento que poucas Casas de Santo conhecem ou cultuam, para Assentar Ajè Salugá faz-se necessário ter os seus 4 fundamentos também assentados, para que se consiga atingir os intentos, mudar o destino, consagrar todo o ritual e atingir o objetivo que é o de prosperar quem a cultua.

Teve seu culto iniciado quando um dos Itans de Ifá fora revelado, neste Itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam. Havia uma menina muito feia que dizia ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso. Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia, e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes Ifá como sempre muito generoso, aceitou-a dentro de casa e deu a ela o pouco que tinha para comer, além de um lugar para descansar.

Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar, Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina, mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele lhe ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali, e disse à Ifá que em sua casa ela estava acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu, quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, brancas, e de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou: “Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje estão revelados!”

Este homem disposto a serví-la, colocou-lhe o nome de Ajè Salugá. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajè havia dado a Ifá, e todos queriam recebê-la em suas casas.
Outro Itan sobre Ajè diz que Yemojá é a mais velha Olokun e que Ajè Salugá é a Olokun caçula, mas de fato ambas são irmãs apenas. Olokun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece todos os segredos, que são os segredos de Olokun. Ajè Salugá era, porém, menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olokun saía para o mundo, Ajè Salugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas.

Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olokun disse à sua filha caçula: “O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares. Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso”.

Na próxima vez que Ajè Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olokun, seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo. Muitos homens e mulheres olhavam admirados o brilho intenso das ondas do mar e ficaram cegos com o brilho. Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres.

Mas quando Ajè Salugá também perdeu a visão, ela entendeu o sentido do segredo. Yemojá está sempre com ela, quando sai para passear nas ondas. Ela é a irmã mais nova de Yemojá.

Ajè Salugá é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto. Poucos o conhecem, e os que conhecem, na maioria, se recusam a passá-los à frente. Seus assentos devem ficar na casa de Osaàla, e nunca devem ser tocados por outra pessoa que não seja seu dono. O assento de Ajè deve ser dado ou ganhado, a pessoa não pode simplesmente assentá-la para si.

Os materiais utilizados devem ser providenciados por seu novo dono, e por serem estes materiais de um custo muito alto, geralmente demora muito para se conseguir tudo.
Conchas grandes, caramujos do mar, jóias naturais, corais, são os símbolos desta divindade. Não existem cerimônias abertas para ela, nem festas. Gosta de arroz cru com mel e farinha perfumada, o local onde Ajè encontra-se assentada, não pode ser visitado por muitas pessoas, mostra-se muito tímida e cismada. Seus rituais devem acompanhar os de Osaàla.

Faz-se necessário ainda que esses Orixás estejam dispostos da seguinte forma na arrumação do Ojubó:

Orunmilá ao centro, Esú Odará à esquerda, Osanyín à direita, Igbá Ori à frente e o assentamento de Ajè esteja à frente do Igbá Ori e abaixo, significando o caminho daquela pessoa e o que está no por vir dela.

Ajè é um Orixá do sexo feminino e tem seu poder em mejí ao centro de tudo, vive cercado de uma outra quantidade de peças importantes e primordiais para o seu devido encantamento.

Após longo Ritual de Consagração desse Igbá Ajè Salugá, com Rezas, Cânticos e Sacrifícios é entregue então ao seu novo cultuador o Igbá Ajè, só quem manuseia e trata de Ajè é a pessoa que o recebeu, corre-se o risco de se perder tudo quando este Orixá é cuidado por outra pessoa que não a recebeu.

Devido a esse Tabu, não se deixa ninguém que não seja de nossa inteira confiança entrar no local onde Ajè está assentada.

Ajè Salugá vive numa Sopeira ou pote grande de louça subdividida de características especiais, é um Orisá de coisas frescas e preciosas.

Geralmente Babalorisás, Iyalorisás, Babalawos, comerciantes, pessoas de grande poder aquisitivo que conseguem assentá-lo devido ao custo em adquirir o material para assentá-lo.

Okô

 é o orixá da agricultura. Ele era um caçador pobre, solitário, que possuía apenas um cão e uma flauta. Possui chibata de couro e um cajado de madeira. Toca uma flauta de osso. Veste branco.

Divindade da agricultura, ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Yoruba, pouco conhecido no Brasil. Na época em que os escravos chegaram, não deram muita importância a este Orì...
xá, considerando-o como da agricultura, em seu lugar, Òfún, e dos grãos, Obaluaiyê.
Em sua representação, traz um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, além de uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois ambos vestem o branco. Seu Òpásórò (cajado), no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Seu nome vem do yoruba, significa: Orixá da Palavra. As abelhas são suas mensageiras. É da agricultura junto com Ogum, e portanto, ligado às colheitas, principalmente de inhame.
É representado por uma estátua de madeira provida de um imenso falo. Seus símbolos são: cajado de madeira, uma flauta, uma chibata de couro, uma faca com fileira de búzios. Na África usam uma barra de ferro como símbolo.
Tem o poder de curar a malária, à qual estão expostos aqueles que lidam com agricultura. É árbitro de conflitos, especialmente entre mulheres, e não raro, juiz das costumeiras disputas entre os orixás.
Tem um título: Eni duru, que significa aquele que é erigido, personagem em pé, referência a seus atributos fálicos.
Na época da colheita do inhame, ninguém comia o inhame novo sem antes fazer uma festa para Okô. As sacerdotisas do templo do orixá se entregavam aos sacerdotes sexualmente, e todo homem que encontrava uma mulher podia ter relação sexual naquele dia. Na ocasião, uma bandeja de madeira contendo côco, cana de açúcar, milho, inhame, todos crus, como oferenda. Nas festas na África, cozinha-se todo tipo de vegetais produzidos pela terra e são colocados na rua para que todos se servissem à vontade.
Sacrificam galinha de angola macho, tudo com mel, pois não se usa dendê para esse Orixá. Come cabritos brancos, novos de chifres virados, ou galos brancos com esporão grande, além de pombos brancos.
As comidas devem ser brancas como: acaçá de Oxalá, inhame cozido em fatias com mel, canjica branca também com mel.

Erê


No Candomblé, Erê é o intermediário entre a pessoa e o seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exacto entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa a sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos do seu Orixá.

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A palavra Erê vem do yorubá, iré, que significa “brincadeira, divertimento”. Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. O Erê (não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Erê é o intermediário entre o iniciado e o orixá.

Durante o ritual de iniciação no Candomblé, o Erê é de suma importância pois, é o Erê que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado.

O Erê às vezes confundido com Ibeji, na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Erê é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão. O Erê conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”. O comportamento do iniciado em estado de “Erê” é mais influenciado por certos aspectos da sua personalidade, que pelo carácter rígido e convencional atribuído ao seu orixá. Após o ritual do orúko, ou seja, nome de iyawo segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas chamado Apanan.

A confusão entre Ibeji e Erê é muito frequente, ao ponto que em algumas casas de candomblé e batuque Ibeji é referido como Erê (criança) que se manifesta após a chegada do orixá, em outras são cultuados como Xangô e ou Oxum crianças. Porém na verdade Ibeji é um orixá independente dos Erês. Dado o facto conhecido e recorrente de que muita gente transita entre o Candomblé e a Umbanda, é também natural que esta confusão se acentue, dados os conceitos e entendimentos diferentes que existem nas duas religiões e que muitas vezes as pessoas não conseguem diferenciar.

Na Umbanda, Erês, Ibejada, Dois-Dois, Crianças, ou Ibejis são entidades de carácter infantil, que simbolizam pureza, inocência e singeleza e se entregam a brincadeiras e divertimentos. Pedem-lhes ajuda para os filhos, para fazer confidências e resolver problemas. Geralmente supõe-se que são espíritos que desencarnaram com pouca idade e trazem características da sua última encarnação, como trejeitos e fala de criança e o gosto por brinquedos e doces. Diz-se que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. São tidos como mensageiro dos Orixás, respeitados pelos caboclos e pretos-velhos. Geralmente, são agrupados em uma linha própria, chamada de Linha das Crianças, Linha de Yori ou Linha de Ibeji. Costumam ter nomes típicos de crianças brasileiras, como Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho e Cosminho. Seus líderes de falange incluem Cosme e Damião. Comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas.
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Iroko salva Orunlá de Iku

Iku vivia perseguindo Orunmila,que na beira do rio igbojare, cansado encostou-se numa grande árvore e fez um pedido a Oloodumare. Quando Iku estava perto de alcançá-lo,no céu apareceu um arco-iris,e na cor branca do arco-íris,surgiu Iyewa.

O espirito da árvore disse à Iyewa, que fosse para beira do rio e fingisse estar lavando roupas,que por ali passaria Iku. O espírito daquela árvore disse também à Orunmila,que era Iroko Naigela,arriando todos os galhos da árvore sobre Orunmila.

Quando Iku chegou ao rio ,encontrou Iyewa,que refletiu sobre ele a cor branca de Oxalá.Iku ficou momentaneamente aturdido,caminhando na direção de Iroko,parou perguntando à Iyewa,se tinha visto alguém passar por ali.Iyewa lhe disse sabe quem sou eu?Ele disse ,sei tu é Iyewa,esposa de Oxumare.

Iyewa respondeu que viu sim,e que tinha ido por ali,indicando o caminho errado a Iku.Quando Iku deu um passo para traz,Iroko rolou sua grossa raiz e derrubou Iku no chão. Neste momento Orunmila trocou de esconderijo,passando para baixo das saias de Iyewa.

Iku pensou que tinha tropeçado.Iroko o levantou,então Iku lhe disse: Iroko, pelo seu ato de levantar-me, atenderei um pedido seu. Iroko falou à Iku,que baixo dos seus galhos havia um encantamento que não deveria ser tocado por ele, nem por ninguém.

Iroko disse que Iku deveria deitar-se no chão,para não esquecer o prometido,e assim Iku fez.Este era o momento esperado por Iroko,que o prendeu em suas ossas raízes.

Orunmila saiu do seu esconderijo e Iku tentou agarrá-lo,mas não consegui,pois estava bem preso nas raízes de Iroko.Orunmila,agradeceu à Iyewa,que neste momentocria em pensamento um pedido,um grande desejo.

Orunmila lhe diz :Iyewa tu serás mãe. E isto era justamente o que ela pensava e desejava.

Iroko disse à Iku,que tentava furioso se libertar:só te levanto do chão,se retirar este “ijuju” que tens em seu pescoço e amarre no meu tronco.

Para se libertar,Iku atendeu ao pedido de Iroko,as raízes se abriram e Iroko levantou a morte do chão. Iroko amarrou o “ijuju” de Iku no pescoço de Orunmila, para lhe servir de proteção contra o próprio Iku.

Iku se afasta do rio. Orunmila e Iyewa encontram Obaluaiye, e seguem caminhando. Com este poderoso feitiço pendurado em seu pescoço,Orunmila estava livre das persseguições de Iku.
O Abiyan é toda pessoa que depois de fazer uma consulta através dos búzios com o Babalorixá ou Iyalorixá, tenha tomado no mínimo um Obí e tenha um fio de contas lavado de Oxalá..

Os procedimentos e comportamentos básicos do Abiyan:

Estar vestido de branco principalmente se a casa for de Oxalá, ressaltando que:
...
- Homens – calça comprida e camisa branca;

- Mulheres – Vestido ou saia/camisa branca;

Ao chegar ir direto beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas e evitar qualquer conversa;
Tomar seu banho de ervas e colocar sua roupa de morin;
Bater a cabeça no Axé, na porta dos quartos de Santo; para o Babá/Iyá, “trocar” à benção com TODOS os seus irmãos, sendo por ordem hierárquica (dos mais velhos aos mais novos), de acordo com a ordem iniciada;
Perguntar ao Babá/Iyá, sobre a função que deverá fazer na Casa; muitas vezes por ordem do Babá/Iyá, as funções podem ser determinadas pelas Ajoiês (Ekédis) da Casa.
O Abiyan deverá fazer suas refeições sentado na ení (esteira), e assim que terminarem, deverão levantar as mesmas e guardá-las. Não devem colocar os pés calçados nas enís;
O Abiyan somente poderá dormir em ení, caso se faça necessário terá a autorização do Babá/Iyá para dormir nos quartos dos Orisás;
O Abiyan ao acordar não deve falar com ninguém, deve antes beber um pouco de água: isso é para apagar os vestígios ou traços negativos provocados pelo mau hálito;
O Abiyan não deve ocultar do Babá/Iyá qualquer tipo de dúvida, problema e mal entendido;
O Abiyan não deve fumar na frente de seu Babá/Iyá;
O Abiyan nunca fica de pé em frente ao Babá/Iyá e sim agachado, com a cabeça baixa;
O Abiyan nunca interrompe o Babá/Iyá quando estiver conversando com alguém. Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedes, ogans, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é correto que os filhos se abaixem próximo a ele para dirigir a palavra. Diz então: “AGÔ” (licença), espera ele dizer “AGÔ YA” e de cabeça baixa falar com ele em tom de voz baixa;
O Abiyan não deve passar pelo o Babá/Iyá com a cabeça erguida, e sim um pouco curvado para frente;
O Abiyan sempre que for servir o Babá/Iyá, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir;
O Abiyan só deverá entrar nas rodas de Xirê se forem chamados pelo Baba/Iyalorixá;
O Abiyan tem suas funções na casa relacionadas à limpeza e manutenção, salvo se for um Abiyan antigo e de confiança poderá exercer outras funções;
O Abiyan não tem Orixá definido ainda, por isso é denominado um Abiyan (aquele que está começando em um novo caminho) mesmo que venha de outra casa;
O Abiyan deverá sempre pedir “Agô” para entrar e sair de cada ambiente do terreiro e esperar a resposta, “Agô ya” de um mais velho;
O Abiyan só poderá ir embora com autorização do Baba/Iyalorixá;
O Abiyan não questiona rituais litúrgicos de sua casa, respeita a hierarquia e se coloca sempre no seu lugar;
O Abiyan deve aproveitar o máximo este período de aprendizado, humildade e retidão, pois é neste momento que irão refletir quanto a futura iniciação, as responsabilidades do que é ser um Adôxu, um Iyawó.
A vivência no axé, a disciplina, observar o comportamento dos mais velhos, ser verdadeiro com seus sentimentos para com o Orixá, estar despojado de vaidades, e entender que o mais importante não é “fazer o santo e sim saber o porquê de se iniciar para o santo”. Não há pressa para iniciação, Orixá entende e nos concede essa oportunidade de aperfeiçoamento e adaptação, salvo as raras exceções.

Ser um bom Abiyan é estar se preparando para no futuro ser um bom Iyawó e assim como ser for um bom Iyawó é estar se preparando para ser um bom Ègbón.

domingo, 29 de julho de 2012

 
HINO YORÙBÁ

A wa o soro ile wa o A wa o soro ile wa o

Esin kan o pe, O yee,

Esin kan o pe ka wa ma soro

A wa o soro ile wa o, Eni to ba fe,

... Ko yan wa lodi! A wa o soro ile wa o!
(Vamos honrar a religião dos nossos ancestrais)
Nenhuma religião pode dizer o sim,
Nenhuma religião pode dizer,
Não devemos parar de adorar o nosso Orisa.
Quem quiser pode adorar, quem quer pode saudar.
Deixe reverência à religião de nossos antepassados.

Ìbà o! (saudações).

SENTENÇA: ENI DA ILE Á BÁ ILÉ LO.

1º MANDAMENTO
• Esúrú: falar o que não sabe;
• O sacerdote não deve enganar ao seu semelhante dizendo e fazendo conhecimentos que não possui;
• Quem abusa da confiança do próximo, enganando-o e manipulando-o através da ignorância religiosa sofrerá graves conseqüências pelos seus atos, A natureza se incumbira de cobrar erros cometidos e isto se refletirá em sua descendência consangüínea e espiritual.

2º MANDAMENTO
ELES AVISARAM AOS MAIORES QUE NÃO CHAMASSEM A TODOS DE ESÚRÚ (CHAMAR A TODOS DE ESURÚ É CONSIDERAR TODAS AS COISAS COMO CONTAS SAGRADAS).
• O sacerdote deve saber distinguir entre o ser profano e o ser sagrado, o ato profano e o ato sagrado, o objeto profano e o objeto sagrado;
• Chamar a todos de “esúrú” é admitir que todos tenham missão sacerdotal;
• Para ser sacerdote, são necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais; • A simples iniciação de um ser profano, desprovido destes atributos básicos e essenciais, não o habilita como um sacerdote legítimo e legitimado;
• Cabe ao sacerdote iniciador escolher com muito critério aqueles que são realmente dignos do sacerdócio;

3º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO CHAMASSEM FORÇAS, DA FORMA ERRADA “ÓDIDÉ”.
• Os sacerdotes nunca devem desencaminhar as pessoas com maus conselhos e orientações erradas;
• Os sacerdotes não devem usar seu poder religioso para o mau, se assim o fizerem serão como “ódidé”, aves noturnas que se saciam de sangue e com o sacrifício de outros;
• A mais importante função do sacerdócio: orientar, conduzir ao caminho correto, ao encontro do “irê” (boa sorte) de acordo com seus odus e orixá de cabeça;

4º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO DISSESSEM QUE AS FOLHAS DE “ARABÁ” SÃO FOLHAS DA ÁRVORE DE “ORIRO”.
ORUNMILÁ É AQUELE QUE NOS OLHA COM AMOR, NÃO FAÇAMOS POR ONDE POSSA NOS OLHAR COM DESPREZO.
• Usar de artifícios e mentiras contra as pessoas inocentes e crédulas e de bom coração, provoca o descontentamento de Orunmilá e a conseqüente ira de Elegbara;
• Aquele que usa de meios escusos enganosos contra seus semelhantes, será culpado do crime de abuso de confiança;

5º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO DEVERIAM MERGULHAR FUNDO, AQUELES QUE AINDA NÃO SOUBESSEM NADAR.
O SABER É FUNDAMENTAL PARA QUEM QUER FAZER.
É NECESSÁRIO O PODER QUE SÓ A INICIAÇÃO OUTORGA
OLODUMARE NÃO DEU AO IGNORANTE O DIREITO DE APRENDER SEM ANTES TOMAR DE QUEM SABE A OBRIGAÇÃO DE ENSINAR
• O sacerdote não deve ostentar uma sabedoria que na verdade não possua;
• O saber é condição básica para que se possa saber;
• Tudo deve ser feito integralmente e com legitimidade total;
• Deve o sacerdote ensinar tudo o que sabe àqueles que o cercam e que Ele confie;
• O sacerdote deve buscar orientação em quem sabe;
• O sacerdote não deve ostentar o que não sabe;

6º MANDAMENTO
ELES AVISAVAM QUE FOSSEM HUMILDES E NUNCA JAMAIS AGISSEM COM EGOÍSMO.
HUMILDADE E DESPRENDIMENTO SÃO ATRIBUTOS INDISPENSÁVEIS DE UM VERDADEIRO SACERDOTE
• O sacerdote não deve ser vaidoso de seus poderes, mas consciente deles;
• O sacerdote existe para servir e não para ser servido;
• O sacerdote não pode ser como pavão, que exibe suas plumas e desperta a sua morte; a vaidade empobrece o sacerdócio.(oduogundakete);
• O verdadeiro sacerdote não se preocupa em provar seu saber;
• O exibicionismo não é conduta de sacerdócio;

7º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO ENTRASSEM NA CASA DE UMA ARABÁ (TÍTULO DAQUELE QUE RESGUARDA OS SEGREDOS DA CHEFATURA DE IFÁ), COM MÁ INTENÇÃO.
• A iniciação não pode ser realizada por interesses que não sejam idôneas;
• A intenção de um sacerdote é servir à humanidade, a Orunmilá e aos Orixás;
• Iniciação por status ou vaidade pessoal é profanar o sagrado e assim pagará com duras penas o sacrilégio; • Ninguém adentra impunemente ao Igbodu Ifá;
• Iniciar alguém significa responsabilidade com o sagrado.

8º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE DEVERIAM USAR “EKODIDÉ” PARA LIMPAREM SEUS TRASEIROS.
OS SAGRADOS FUNDAMENTOS NÃO PODEM SER USADOS COM OBJETIVOS VÃOS.
• Os tabus devem ser integralmente observados sob pena de severas conseqüências;
• O sacerdote deve submeter-se às interdições impostas pelo seu odu pessoal, assim como aos tabus de seu Olori;
• Submissão ao culto e preceito é fundamental;
• A obediência total às orientações de Ifá conduz o homem à plenitude de bênçãos;
• Não se deve usar o sagrado de forma leviana;
• Não se deve usar o poder do axé para prejudicar ninguém e em nenhuma hipótese;
• Usar o sagrado para vantagens pessoais, principalmente financeiras será continuamente cobrado e responsabilizado por isto;

9º MANDAMENTO
• O epô é um elemento muito sagrado; é o sangue vegetal.Há de ser muito limpo e puro;
• Tudo deve ser limpo: instrumentos, pessoas, ambientes;
• Os assentamentos devem ser muitos limpos;
• As atitudes e a honra devem ser limpas e puras;
• O sacerdote deve ser escrupuloso com tudo;
• Os instrumentos litúrgicos, seus assentamentos, seu corpo, suas atitudes e seu caráter hão de permanecer sempre limpos... Muito limpos
• Nenhum orixá admite a sujeira física ou moral;

10º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO DEVERIAM URINAR DENTRO DO AFÓ
AFÓ É O LOCAL ONDE SE FABRICA O EPÔ
• Tudo num rito e num ato deve ter limpeza e religiosidade;
• A comida deve ser muito limpa;
• A comida deve ser realizada com religiosidade;
• O silêncio é fundamental nos atos;
• Ensinar quem não sabe e quem sabe menos é uma obrigação sagrada;

11º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO SE DEVE RETIRAR A BENGALA DE UM CEGO.
• Os que mais sabem hão de ter o mais profundo respeito pelos que nada ou menos sabem;
• Ninguém poderá descaracterizar o que os outros sabem e acreditam;
• Abalar a fé de quem sabe pouco ou nada sabe é retirar sua bengala;
• A mais importante missão de um sacerdote é ensinar e orientar;
• Hão de ensinar com doçura, sutileza, humildade e paciência;
• O sacerdote é um mestre;

12º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO SE RETIRA UM BASTÃO DE UM ANCIÃO
BASTÃO: SÍMBOLO DAS EXPERIÊNCIAS ADQUERIDAS;
DEVE-SE RESPEITAR E TRATAR MUITO BEM OS MAIS VELHOS
• Respeito aos mais velhos é um dos principais fundamentos da religião;
• Reconhecimento de antiguidade é posto;
• Falta de respeito, atenção, deixa-lo sem proteção é retirar-lhe o bastão.
• Os novos hão de respeitar os velhos;
• Os velhos são como livros de sabedoria que devem ser lidos com paciência e carinho;
• Numa religião aonde o saber é transmitido oralmente deve-se preservar seus velhos;
• Saber é poder!

13º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO SE DEITASSEM COM A ESPOSA DE UM OGBONI
OGBONI : TÍTULO DE MASGISTRADO, JUIZ, PESSOA DGNA DE RESPEITO
• As autoridades devem ser respeitadas integralmente;
• O ogboni representa: autoridade e leis;
• O sacerdotes devem pautar sua vida de acordo com a lei dos homens e dos Orixás;
• As leis de Ifá devem ser respeitadas e nunca alteradas e manipuladas.

14º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NUNCA SE DEITASSEM COM A ESPOSA DE UM AMIGO
• Os amigos devem ser respeitados e nunca traídos;
• A amizade entre as pessoas deve sempre ser fortalecida;
• O respeito e a ética devem existir;

15º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NÃO SEMEASSEM DISCÓRDIAS RELIGIOSAS
• Não se deve usar a religião para a guerra e a separação entre os homens;
• A religião deve unir através de Olodumarê, Orunmilá e Orixás;
• Não se deve semear a desconfiança e inimizade entre as pessoas de axé;
• DEUS é um só e todos os homens são seus filhos, portanto irmãos;

16º MANDAMENTO
ELES AVISARAM QUE NUNCA FALTASSEM COM O RESPEITO OU QUISESSEM DEITAR-SE COM A ESPOSA DE UM SACERDOTE
• Os adeptos devem respeitar-se mutuamente;
• Uma única palavra neste mandamento: ÉTICA.

Fonte: Sixteen Cauris

REFLEXÃO
A VERDADE É ALGO QUE IMCOMODA.
MAS A MENTIRA É A MAIS ANTIGA DAS INJUSTIÇAS COMETIDAS CONTRA AS PESSOAS....